Santo Antonio e Jirau: relatos de uma guerra amazônica

PRODUÇÃO : COLETIVO DE COMUNICAÇÃO DO MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS

COPRODUÇÃO: BRIGADA AUDIOVISUAL EDUARDO COUTINHO (MST)

DIRIGIDO POR  BRUNO FERRARI

Santo Antônio e Jirau são hidrelétricas localizadas no Rio Madeira, na cidade de Porto Velho, capital de Rondônia – Brasil.  As duas formam o complexo Madeira, a primeira é a quarta maior hidrelétrica em operação no Brasil e uma das maiores do mundo.

O documentário apresenta a ótica das famílias, na maioria mulheres, atingidas por esse grande empreendimento. “ Eu sei que sozinha não vou consegui fazer nada, mas eu sei que meu apelo alguém vai sentir[…] ” , essa frase de  Dona Maria  expressa o grito de socorro  dessa pessoas.

Outras vozes ecoam através das lentes da câmera, denunciando a violência, a Prostituição infantil, gravidez precoce, contaminação da água, as árvores mortas, toneladas de peixes assassinados, milhares de famílias desabrigadas e sem emprego, a falta de escola e de saúde entre outros problemas.

Os relatos apresentados por inúmeras mulheres como: Dulce, Iza, Dona Maria Sargento Braga, Dona Cida, Mara, Dadá e Izolina, enfatizam a preocupação com o futuro da comunidade, especialmente das crianças, que são as mais vulneráveis no processo de cerceamento dos direitos.

Destacam-se entre as vozes femininas a Nilce de Souza Magalhães, pescadora e militante do movimento pelos direitos dos atingidos. Nicinha como era conhecida foi silenciada após as gravações do documentário, seu corpo foi encontrado cinco meses após o desaparecimento, no lago da barragem da Usina Hidrelétrica Jirau, em Porto Velho (RO).

Que nem a voz e nem a memória de Nicinha sejam esquecidas..

Nicinha (Caetano Veloso)

Se algum dia eu conseguir cantar bonito

Muito terá sido por causa de você, Nicinha

A vida tem uma dívida com a música perdida

No silêncio dos seus dedos

E no canto dos meus medos

No entanto você é a alegria da vida