O documentário “Belo Monte: Depois da inundação” narra as perdas materiais e simbólicas dos atingidos

O filme “Belo Monte: Depois da inundação”, dirigido por Todd Southgate, foi lançado em dezembro 2016 e relata as controvérsias envolvidas no projeto e construção da barragem de Belo Monte, no estado do Pará, Brasil.

Narra as perdas sofridas pelos atingidos, ribeirinhos e indígenas, muitos deles tiveram de deixar seu lugar de origem, sua morada e perderam também a fonte de renda como pescadores.

O documentário aborda as obrigações condicionantes não implementadas durante todo processo de construção da barragem e da batalha judicial empenhada pelo Ministério Público Federal, no sentindo de levar a Norte Energia a executar as medidas de mitigação exigidas pela licença de construção, expedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com vistas a trazer melhorias para a região.

Com o discurso de que o empreendimento traria desenvolvimento, o documentário denuncia que o mesmo esforço empenhado para cumprir o cronograma das obras não foi empenhado na entrega do sistema de saneamento básico e de saúde para a população atingida.

Dada a falta de consulta prévia e informada, muitos povos indígenas, ao longo dos anos de construção da hidrelétrica, ocuparam os canteiros de obras, exigindo que suas demandas e preocupações fossem ouvidas.

Dentre os depoimentos, cabe o ressaltar o da Procuradora do Ministério Público Federal, Thais Santi, ao dizer “não tenho dúvidas em afirmar que os impactos não só não foram mitigados, mas eles foram maximizados pela ação do empreendedor, né?! A conclusão do Ministério Público Federal que foi levada ao poder Judiciário, é que Belo Monte representa, pela leitura dos próprios estudos e pela conclusão do que a FUNAI trás, uma ação etnocida do Estado Brasileiro e da empresa Norte Energia”, uma vez que as compensações dos povos indígenas fomentaram divisões e o desmonte do modo de vida e organização da cultura própria deles.

Os relatos contidos no filme, assim como o caso de Belo Monte, servem de alerta para a construção de hidrelétricas na Amazônia, que sob a égide de energia limpa, tem causado impactos imensuráveis na biodiversidade e na vida das populações locais. O processo precisa ser repensado, pois como relatado nesse documentário, os modelos atuais não estão atendendo os envolvidos de maneira equitativa, as instituições brasileiras, a sociedade civil e ONG’s precisam fazer um esforço conjunto para mudar essa realidade.