Iluminando Escolas

‘Iluminando Escolas’ é um vídeo lançado recentemente, que apresenta a instalação de placas de energia solar na escola da aldeia Munduruku. O trabalho é o resultado da aliança entre o Greenpeace com o Movimento Munduruku Ipereg Ayu, a Amazon Watch, a Empowered by Light e a SolarGrid no âmbito da luta do povo Munduruku contra a instalação de hidrelétricas na bacia do tapajós próximas a seus territórios.

Destaco dois pontos importantes apresentados no vídeo: Primeiro, a alternativa enérgica proposta – a energia solar, em substituição a gerada por motor a diesel (cara e poluente) e a contraposição a  energia geradas pelas hidrelétricas, como fala Maria Leusa Kaba Munduruku : “ existem outras fontes de energia que não só as hidrelétricas”.

O segundo ponto que gostaria de mencionar é o papel do protagonismo escolar enfatizado no vídeo; “A colocação de placas solares na escola vai propiciar que esse espaço público seja utilizado com maior eficiência. Pode promover a escola como espaço de debate e inclusão social, onde as famílias poderão até discutir seus problemas e sua realidade “ ( Danicley de Aguiar)

No Brasil, após a constituição de 1988, a instituição escolar tornou-se importante dentro do universo vivenciado pelos indígenas. Haja vista, que após um longo período de reivindicação e luta, o Estado reconhece o direito dos povos indígenas a uma escola diferenciada.  No artigo Art. 210,§ 2º foi garantindo: “O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem”. Porém, a luta por uma escola que atenda aos anseios da comunidade indígena ainda é um longo caminho a ser percorrido. Porém, podemos identificar alguns avanços como o ensino bilíngue e a política de formação de professores indígenas.

Para além, dessas conquistas e dos desafios que temos na tentativa de construir uma escola diferenciada, gostaria de enfatizar a importância do espaço escolar nas comunidades indígenas. Estas são para os povos indígenas um instrumento de conscientização política, fortalecimento cultural e afirmação étnica.

A escola deve ser um espaço de diálogo, discussão para o enfrentamento de problemas que comunidade vivencia. Essa é a perspectiva do pensador Paulo Freire que defendeu que a missão da escola é formar para e pela cidadania, objetivando construir pilares de outro mundo possível mais igualitário e sustentável.

Segundo Freire, no seu livro Pedagogia da Autonomia (1996) “É o saber do futuro como um problema e não como inexorabilidade. É o saber da História como possibilidade e não como determinação.  O mundo não é.  O mundo está sendo” . Em outras palavras, as mudanças dependem de nossas ações e a escola pode ser um espaço onde elas dão a luz